A Economia do Cuidado: por que as profissões mais humanas serão também as mais valorizadas no futuro?

Por Projeto Somar | ICETE| Profa. Dra. Thatiane Sampaio
Enquanto a Inteligência Artificial escreve textos, analisa exames médicos em segundos e automatiza processos antes realizados por equipes inteiras, uma pergunta surge com frequência: quais profissões continuarão sendo indispensáveis?
A resposta pode surpreender. Embora a tecnologia esteja transformando praticamente todos os setores da economia, existe um campo que cresce justamente porque depende de uma habilidade que nenhuma máquina consegue reproduzir plenamente: o cuidado com as pessoas.
A chamada Economia do Cuidado reúne atividades voltadas ao bem-estar, à saúde, à educação, à assistência social e ao apoio às famílias. São profissionais que acolhem, orientam, escutam e acompanham pessoas em diferentes fases da vida. Nesse contexto, a Inteligência Artificial não substitui o trabalho humano; ela amplia sua capacidade de atuação.
O que é a Economia do Cuidado?
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define a Economia do Cuidado como o conjunto de atividades remuneradas e não remuneradas voltadas para atender necessidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais de crianças, idosos, pessoas com deficiência e demais grupos que necessitam de apoio. Além disso, envolve toda a infraestrutura e os serviços que permitem que essas atividades aconteçam com qualidade.
Na prática, estamos falando de profissionais que fazem a diferença todos os dias na vida das pessoas.

A tecnologia substitui tarefas, não relações humanas
Ao longo da história, sempre que uma nova tecnologia surgiu, houve receio de que milhares de empregos desaparecessem.
Foi assim com a máquina a vapor.
Depois com a eletricidade.
Com os computadores.
Com a internet.
Agora acontece o mesmo com a Inteligência Artificial.
Entretanto, a história mostra que as tecnologias eliminam tarefas repetitivas, mas também criam novas profissões e valorizam competências que dependem da criatividade, da comunicação, da liderança e da empatia.
É justamente nesse ponto que a Economia do Cuidado ganha destaque.
Um algoritmo pode organizar medicamentos, analisar exames e emitir alertas, mas não consegue construir confiança, oferecer conforto emocional ou compreender plenamente as necessidades individuais de uma pessoa.
📊 Você sabia?
748 milhões de pessoas

As profissões que devem ganhar ainda mais importância
A demanda por profissionais qualificados tende a crescer em diversas áreas ligadas ao cuidado.
Entre elas destacam-se:
❤️ Cuidador de Pessoas Idosas
O aumento da expectativa de vida amplia a necessidade de profissionais preparados para oferecer cuidados físicos, emocionais e sociais.
👶 Cuidador Infantil
Famílias procuram cada vez mais profissionais qualificados para apoiar o desenvolvimento das crianças.
🤰 Doula
O atendimento humanizado durante a gestação, parto e pós-parto cresce em diversos países e valoriza profissionais especializados.
🏥 Agente Comunitário de Saúde
Esses profissionais são fundamentais para aproximar os serviços públicos da população, promovendo prevenção e educação em saúde.
🤝 Assistente Social
Em um cenário de mudanças sociais e econômicas, profissionais capazes de orientar famílias e fortalecer redes de proteção social tornam-se ainda mais estratégicos.
A profissão que a Inteligência Artificial não consegue substituir
ou
👩 Uma pessoa segurando sua mão e dizendo:
“Vai ficar tudo bem. Estou aqui com você.”
Essa é a grande diferença entre informação e cuidado.
A Inteligência Artificial consegue analisar milhares de exames em poucos segundos.
Mas ela ainda não consegue oferecer algo essencial:
❤️ empatia.
O papel do Projeto Somar
O Projeto Somar acredita que preparar pessoas para essas novas oportunidades é investir no desenvolvimento econômico e social das comunidades.
Nosso objetivo é conectar pessoas às profissões que crescerão nos próximos anos, fortalecendo competências humanas e estimulando o empreendedorismo como instrumento de transformação social.

Nesse cenário, a Economia do Cuidado deixa de ser apenas um setor da economia e passa a representar uma das principais oportunidades para quem deseja construir uma carreira com propósito, impacto social e alta relevância para o futuro.
Referências
- INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION (ILO). Care Economy. Genebra: ILO. Disponível em: https://www.ilo.org/topics-and-sectors/care-economy. Acesso em: jul. 2026.
- INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION (ILO). Advancing Decent Work and the Care Economy: An Essential Component of Social Development. Genebra, 2025.
- INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION (ILO); ECLAC. Care Economy and Decent Work: Scenarios and Recommendations for Latin America and the Caribbean. 2025.
- INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION (ILO). Unpaid Care Work Prevents 708 Million Women from Participating in the Labour Market. 2024.
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Síntese de Indicadores Sociais 2024.
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